BIOÉTICA E CTS – UMA REFLEXÃO ÉTICA E FILOSÓFICA DAS TECNOLOGIAS APLICADA À VIDA “BIOTECNOLOGIA” NA SOCIEDADE PÓS-HUMANA DO SÉCULO XXI

Luciana Reusing

Resumo


: No início da década de 70, surgem concomitantemente dois novos campos de estudos, a Bioética e a trilogia CTS pela necessidade de abordar as implicações éticas decorrentes das novas tecnologias aplicadas à vida “biotecnologia” e seus impactos na sociedade do século XXI. Ambas emergem das percepções oriundas do período da 2º Guerra Mundial, pelo uso de artefatos tecnológicos lesivos a vida humana e a biosfera. Busca-se então redefinir moralmente o uso dessas tecnologias, seja através da bioética com o papel de orientar o comportamento e a relação do profissional da saúde e do paciente, bem como a CTS para uma visão crítica da sociedade em relação ao progresso a qualquer custo. Insurge primeiramente a necessidade de refletir eticamente sobre as práticas médicas e das novas tecnologias aplicadas à vida em prol da saúde, pautadas pelos princípios da bioética e da responsabilidade de Hans Jonas. Posteriormente refletir sobre as patologias sociais da saúde, ou seja, aquilo que causa sofrimento ao homem e que pode ser amenizado através de práticas médicas consideradas controversas, por valores e costumes sociais e de ordem legal, como eutanásia, suicídio assistido, células-tronco, transfusões sanguíneas e os derivados da vontade antecipada. O diálogo existente é transdisciplinar, e o saber construído nas bases da Filosofia, Teologia, Biologia, Medicina e principalmente no Direito “Biodireito”, quando da existência de conflitos em prol do bem viver e da vida já que os demais direitos são dela decorrentes. O presente artigo tem por objetivo, refletir a ética das tecnologias aplicada à vida pela relação entre bioética e CTS na sociedade pós-humana do século XXI. O método de pesquisa é o estudo bibliográfico, e por resultado a reconfiguração do progresso tecnológico pautado na ética da bioética e consubstanciado nos valores e mitos da sociedade.


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